quarta-feira, 13 de maio de 2015

Flip - cada vez mais abrangente

Prestes a embarcar na ”minha” oitava Flip – Festa Literária Internacional de Paraty –, que acontecerá de 1º a 5 de julho, percebo que a ansiedade diminuiu um pouco, mas não a vontade de participar, mais uma vez, daqueles dias repletos de literatura, tietagem e amizades em meio a um cenário mágico e aconchegante. Para mim, continua sendo o melhor evento literário do Brasil.

Em 2015, o grande homenageado será Mario de Andrade, cujo septuagésimo aniversário de morte é lembrado neste ano. Motivos a mais para estar na Flip, já que o escritor participou de um dos momentos que mais me fascinam na história literária paulistana: a Semana de 22. Se bem que a festa não se restringirá a apenas essa faceta do escritor, pois Mario tem uma abrangência muito maior na literatura e na cultura do país, devendo ser reinterpretado por diversos pontos de vista.

A mesa de abertura, por exemplo, “As margens de Mario”, traz três estudiosos para destacar ângulos diferentes do escritor e poeta. A argentina Beatriz Sarlo falará sobre a faceta internacional de Mario; Eduardo Jardim ressaltará a relação com o Rio de Janeiro; e Eliane Robert Moraes abordará o lado erótico nas obras, entre elas Macunaíma.

A programação principal contará com a participação de 39 autores, sendo 16 internacionais. As mesas contemplarão diversos temas, como poesia, sexo e erotismo na literatura, ciência, relações familiares e afetivas, romance policial, política internacional, literatura de vigem, música, arquitetura, políticas culturais. Uma diversificação que começou o ano passado, quando Paulo Werneck assumiu a curadoria da festa.

Dos convidados da Flip 2015, estou na expectativa de Roberto Saviano e de Colm Tóibin. O primeiro, jornalista italiano, é autor de Gomorra, livro-reportagem sobre o funcionamento da máfia italiana e que o obrigou a viver sobre proteção policial depois da publicação. É dele também Zero, Zero, Zero, obra que retrata o mercado internacional de cocaína.

Já Colm Tóibin, que esteve na Flip 2004, despertou em mim o interesse por ser um escritor irlandês, país natal de James Joyce e que tem atraído minha atenção nos dois últimos anos. É autor de A luz do farol, O mestre, Mães e filhos e O testamento de Maria.

Quero ainda ver o argentino Diego Vecchio, que está lançando no Brasil Micróbios, obra humorada que aborda personagens adoentados; o brasileiro Boris Fausto, com o seu autobiográfico O brilho do bronze, no qual fala da morte da esposa; o queniano Ngugi wa Thiong’o, cotado para o Nobel de Literatura e autor de Um grão de trigo; a brasileira Ana Luisa Escorel, primeira mulher a ser contemplada com o Prêmio São Paulo de Literatura com Anel de vidro; o francês Riad Sattouf, autor da graphic novel autobiográfica O árabe do futuro; e o cubano Leonardo Padura, escritor e jornalista, autor do romance histórico O homem que amava os cachorros, sobre a vida de Leon Trótsky.

Mas não é só na programação principal que giram meus interesses. A Flip é muito abrangente e contará, neste ano, com a participação de bons autores e ilustradores na Flipinha. Dentre estes a ilustradora Simone Matias, que conheci na Flip 2008 e com a qual tenho a oportunidade de compartilhar da sua amizade. Entre seus trabalhos estão O estribo de prata, de Graciliano Ramos.

Neste ano a Flip terá a Oficina de Design de Livros, ao invés da tradicional Oficina Literária. Para ministrar os cursos foram convidadas a holandesa Irma Boom e a brasileira Elaine Ramos que, juntas, farão abordagens distintas do livro como objeto artístico, tanto em seus aspectos industriais quanto artesanais.

E isso sem falar na programação paralela que sempre traz bons temas com excelentes autores e personalidades do mundo literário e artístico.

Como se vê, a Flip é bastante diversificada e universal. Para mim é fascinante e sedutora, já que me envolve de tal maneira que quero sempre voltar para lá, ano após ano. Uma experiência rica e que vale muito a pena vivenciar.

Saiba mais sobre a Flip 2015 aqui 

domingo, 10 de maio de 2015

Amor de mãe em Harry Potter

Foi numa noite fria e cinzenta que me despedi da saga Harry Potter, em um clima bem característico e similar ao seu universo mágico e por vezes sombrio. Sou fascinada por Harry Potter e seu universo mágico, devo confessar, mas principalmente pelos livros, pela forma como foi construída, pela trama bem elaborada e amarrada, pelos personagens bem construídos, repletos de heróis e vilões, pela história de amizade e companheirismo, enfim por tudo o que uma boa narrativa representa.

Mas assisto também aos filmes que, se muitas vezes não são um primor, pelo menos divertem e ajudam a dar vazão a imaginação que criamos ao ler os livros. Neste caso, é interessante ver que algumas imagens são iguais, idênticas até, e poucas diferentes.

Harry Potter e as Relíquias da Morte é o sétimo e último livro da saga e, adaptado para o cinema, foi dividido em duas partes. A última aventura é muito engenhosa, muito boa, repleta de detalhes. Harry Potter amadureceu e com eles seus milhares de fãs. Da história infantil e engraçada do primeiro livro (A Pedra Filosofal), que introduziu toda a história do pequeno bruxo, o último carrega um tom mais sombrio e sóbrio, já iniciado com o quarto livro da série, O Cálice de Fogo.

Muitos personagens povoam as páginas de As Relíquias da Morte e grandes surpresas estão reservadas para Harry e sua turminha. Juntos, eles buscam – para destruir – as horcruxes com as quais Voldemort dividiu sua alma, para assim matá-lo. Uma empreitada dura, repleta de percalços e reviravoltas, mas também uma jornada de revelações, persistência, coragem e amizade.

Cabe ainda um comentário sobre o último episódio, algo para refletir, e que percebi somente quando assisti ao filme. Talvez já tenha sido citado, mas não tomei conhecimento, mas é interessante notar que Valdemort foi derrotado duas vezes pelo amor de mãe, assim como Harry foi salvo por ele. Na primeira vez que o bruxo tentou matar o garoto, a mãe deste se colocou na frente e lançou um feitiço protetor; na segunda, quando Voldemort confronta Harry no final da saga e o “mata”, Narcisa, a mãe de Draco Malfoy, o rival de Harry, vai verificar se ele está morto mesmo e, vendo-o ainda com vida, declara que ele está morto, por saber de Harry que Draco está vivo. Claro, a preocupação de Narcisa era com o filho, mas não deixa de ressaltar, neste caso, o amor salvador de mãe.

Assim, com Harry Potter, fica aqui a minha homenagem às mães, seres especiais, corajosos e abnegados;

Feliz Dia das Mães!


(Adaptado da publicação no Cubo 3)

sexta-feira, 27 de março de 2015

A visita cruel do tempo. Lembranças

Há livros que permanecem com a gente por um bom tempo, se não para toda a vida. Desde que li A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, trechos da história sempre aparecem como lampejos em minha mente. Eles chegam assim, sem mais nem menos, em pequenos flashes, sem que eu me lembre de imediato de que lembranças surgiram. Às vezes penso que foi de um filme que assisti, de tão nítidas essas imagens chegam, aí vou puxando pela memória e acabo no livro de Jennifer. Sim, as cenas são do livro, e acho que elas vão me acompanhar para sempre.

Neste mês de março, em que me propus a ler somente mulheres escritoras, a lembrança de Jennifer e seu livro foram constantes, e percebi que não cheguei apostar no blog minhas impressões sobre a obra. Na verdade, fiz isso em outro canal, no Cubo 3, onde escrevi “resenhas” por um tempo. Assim, transcrevo abaixo o texto que foi publicado naquele site, com pequenos ajustes, para registrar aqui também o que a leitura significou para mim.

“Tempo. Esse implacável

Inspirada na genial obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, a escritora americana Jennifer Egan escreveu um dos mais ecléticos livros que li: A visita cruel do tempo, título que arrebatou críticas e distinções, como o Tournament of Books, competição mata-mata, criada em 2005 pela revista eletrônica americana The Morning News em parceria com a livraria independente Powell´s, de Portland, Oregon, e que originou a Copa de Literatura Brasileira.

Logo nas primeiras páginas do livro, publicado no Brasil pela Intrínseca, no início do ano, com tradução de Fernanda Abreu, a inspiração na monumental obra de Proust aparece em todo o seu esplendor, na seguinte citação:

Alegam os poetas que, ao adentrar alguma casa ou algum jardim onde moramos quando jovens, reencontramos por um instante aquilo que já fomos. São peregrinações muito arriscadas, que produzem em igual medida sucessos e desilusões. Esses lugares fixos, contemporâneos de outros anos, é dentro de nós mesmos que mais convém encontrá-los.”

E o que se segue, no livro de Jennifer, é uma sucessão de contos contemporâneos, que cobre o período de 1979 a 2020, tendo o universo da música como ponto central e a implacável passagem do tempo e seus efeitos, quase sempre nefastos, em nós. Mas o que chama mais a atenção na obra é o estilo narrativo da autora e sua habilidade técnica em escrever ora na primeira, na terceira e ainda na segunda pessoa, o que é mais difícil, além de uma experiência ousada: uma apresentação de PowerPoint que, a princípio, parece sem nexo, mas que se torna pouco a pouco um recurso ágil, divertido e próprio para narrar parte da história do ponto de vista de uma menina de 12 anos.

Utilizando das várias técnicas narrativas, Jennifer constrói os capítulos, num total de 13, sendo um deles em forma de artigo jornalístico com notas de rodapé. Confesso que achei um pouco enfadonho, pois nunca fui muito adepta dessas notas que, embora sirvam para explicar e ampliar alguma informação, desviam a atenção e dificultam a retomada do texto.

Não é fácil tentar resumir a obra, constituída de histórias que se intercalam, nem sempre em ordem cronológica dos fatos, para mostrar o efeito do tempo, por vezes devastador, na vida das pessoas. Assim, o livro começa num determinado período da vida de Sascha, uma mulher de 36 anos, às voltas com a sua cleptomania e chateada por ter sido demitida do emprego, por seu chefe Bennie, depois de anos de trabalho. Num encontro com Alex, um homem mais jovem, ela rouba uma carteira, e tenta se livrar de seus problemas no divã do analista. Mais para frente sua trajetória será retomada, seja antes ou depois desse período.

No capítulo seguinte a história se abre com Bennie, o então patrão de Sascha, mas em um fase anterior ao desemprego da cleptomaníaca. À frente o tempo retrocede ainda mais para encontrarmos Bennie jovem, na época do colégio, com seus inseparáveis amigos Scotty, Rhea, Alice e Jocelyn, com os quais forma uma banda musical. Esses personagens serão também retomados mais para frente e assim sucessivamente.

Bennie, inspirado no seu mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína, se lança nesse universo, sendo responsável por lançar um grupo musical de sucesso, os Conduits, do qual o baterista Bosco, eletrizava a plateia. Mais para frente encontraremos um Bosco decaído, velho, gordo, tentando se reerguer. É dele uma das frases mais contundentes do livro, que trata exatamente dos estragos que o tempo faz:

É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?

Algumas histórias são mais interessantes do que as outras, como a da assessora de imprensa, La Doll, que cai em desgraça. Primeiro a vislumbramos, brevemente em todo o seu esplendor, para depois encontrá-la simplesmente como Dolly, num capítulo todo seu, no qual conhecemos sua filha Lulu, de nove anos, e sua tentativa de retornar ao mercado numa arriscada empreitada para melhorar a imagem de um general implicado em genocídio.

Mas é, de fato, o capítulo feito com o recurso do PowerPoint que mais encanta. Nele, a menina Alison Blake, filha de Sascha, fala das pausas da música, uma fixação de seu irmão, e revela partes da história dos pais já retratados em outras épocas, em capítulos anteriores. Em dado momento, ela também parece ser atingida pela questão do tempo, quando revela seus medos:

Do que eu sinto medo
De que as placas de energia solar sejam uma máquina do tempo.
De que eu seja um adulta voltando a este mesmo lugar depois de muitos anos.
De que os meus pais estejam mortos e a nossa casa não seja mais nossa.
De que ela seja uma ruína caindo aos pedaços sem ninguém dentro.
Morarmos todos juntos nessa casa era uma delícia.
Mesmo quando a gente brigava. Parecia que nunca ia terminar. Vou sentir saudades para sempre.

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, que participou da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty em 2012, é um livro gostoso de se ler, no qual o leitor se identifica facilmente, sobretudo com relação à passagem do tempo, esse implacável tempo que chega irremediavelmente para todos nós."

(Publicado originalmente em Cubo 3) 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Personagens femininas marcantes

Se é fato que a figura masculina do herói pode ser encontrada em boa parte da literatura mundial, com belos personagens, não é menos verdade que a feminina também gerou grandes e fascinantes heroínas. São muitas delas que dão o tom e o charme, constituindo-se no cerne da história de forma a torná-la ainda mais interessante.

Não é à toa que Tolstói afirmou ser a mulher “uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.” Afinal, elas são surpreendentes

Nesta semana que antecede ao Dia Internacional da Mulher, pensei qual personagem feminina da literatura é minha preferida. Tentei escolher uma, pensei em cinco, e não poderia ser diferente, porque para mim elas são inesquecíveis.


Clara, de A Casa dos Espíritos (Isabel Allende)

Claríssima, claravidente, Clara tinha dons que se apresentaram ainda em criança. Dona de uma sensibilidade grande, era muito doce, mas ao mesmo tempo exalava uma força que cativava a todos ao seu redor, inclusive a mim, leitora. Fascinante.


Blimunda Sete-Luas, de Memorial do Convento (José Saramago)

Nascida Blimunda de Jesus, ela foi batizada pelo padre Bartolomeu Lourenço de Blimunda Sete-Luas. É uma mulher do povo, forte e leal, que vive um amor intenso – e lindo - com Baltasar, chamado de Sete-Sóis. Tinha o dom de, em jejum, ver o interior das pessoas e das coisas, possibilitando que recolhesse “vontades”.



A mulher do médico, de Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago)

Protagonista do romance, ela não tem seu nome revelado, assim como os demais personagens, sendo identificada como a mulher do médico oftalmologista, durante a epidemia de uma cegueira branca que acometeu a cidade onde vive. Dos moradores é a única que enxerga, que vê realmente, em todos os sentidos, a realidade e o que acontece à sua frente, tornando-se assim a condutora e a líder em uma terra de cegos.


Úrsula Iguaran, de Cem Anos de Solidão (Gabriel García Marquez)

A matriarca da família Buendia-Iguaran, Úrsula é uma mulher de muita fibra e coragem, que fincava os pés no chão e garantia a sobrevivência de todos. Viveu perto dos 122 anos, completamente cega, mas sem que a família soubesse, pois conseguia deslocar-se na casa com muita facilidade.


Capitu, de Dom Casmurro (Machado de Assis)

Forte e envolvente, Capitu é uma das personagens literárias mais discutidas e famosas, pela dubiedade de seus atos e olhar. Seus olhos, aliás, profundos e diferentes, de acordo com a conveniência, foram descritos como “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” ou “olhos de ressaca”.  Uma personagem bem construída.

Fiquei pensando o porquê de essas personagem terem me marcado tanto. Não sei, talvez a força, o fato de serem diferentes..., contudo, percebi um fato em comum entre elas, algo que tem a ver com a visão, com os olhos, com o enxergar. Acho que elas têm uma maneira diversa de perceber o mundo, que foge do tradicional, conferindo um quê de liberdade. Talvez seja isso. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

70 anos sem Mário de Andrade


Neste 25 de fevereiro completam-se 70 anos da morte de Mario de Andrade, grande ícone da literatura brasileira, que se destacou na poesia, prosa, crítica literária e ensaio. Pioneiro da poesia moderna brasileira, publicou em 1922 Paulicéia Desvairada e se tornou figura central do movimento de vanguarda de São Paulo, constituindo-se num dos pilares da Semana de Arte Moderna.

 O escritor terá sua obra em domínio público a partir de 2016, mas para este ano, a Nova Fronteira (Agir), detentora dos livros, prometeu uma edição em quadrinhos de Macunaíma, um de seus principais romances, com roteiro de Izabel Aleixo e arte de Kris Zullo. Além disso, deverá ser publicado o romance Café, livro inédito e inacabado.

 Mário de Andrade será também o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontecerá de 1º a 5 de julho próximos. Segundo nota oficial dos organizadores da festa, “a obra e a vida de Mário de Andrade ajudaram a moldar a cultura brasileira – entre os frutos indiretos de sua atuação estão, por exemplo, a preservação da cidade de Paraty e a própria Flip, que guarda muito de seu espírito irrequieto, festeiro e articulador...”

 Deixo aqui um de seus poemas, uma exaltação à cidade de São Paulo, onde nasceu, viveu e amou.


Quando eu morrer quero ficar
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.


(Mário de Andrade, Lira Paulistana)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

É Carnaval!!!

E hoje começa a folia. É Carnaval. 
E quem disse que literatura não combina com essa festa popular?
Deixo aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade para embalar o nosso Carnaval.
Viva!



Um homem e seu carnaval

Um homem e o seu carnaval”
Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensão.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
É dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Festas e feiras literárias 2015

A realização de eventos literários, como feiras e festas, tem se intensificado pelo país. De acordo com uma matéria publicada no final de janeiro pelo jornal O Globo (aqui), só em 2015 serão mais de 300 pelo Brasil, constituindo-se em importante aliado ao incentivo à leitura.

Fã desse tipo de evento, relacionei abaixo algumas das feiras e festas que acontecerão durante o ano. Claro, muitas ainda não tiveram as datas divulgadas, como Tarrafa Literária (Santos-SP), Salão do Livro de Guarulhos (SP), Fórum das Letras de Ouro Preto (MG) e Feira do Livro de Porto Alegre (RS), mas é bom ficar de olho..., enquanto isso, confiram alguns eventos bacanas ligados ao mundo da literatura já confirmados.


Fevereiro / Março

Feira Literária Internacional do Mato Grosso do Sul
O evento reúne diversas manifestações e linguagens da arte como a literatura, artes visuais, artesanato, música, dança, teatro e folclore.
Armazém Cultural - Av. Calógeras, 3.065 – Campo Grande (MS)
De 26 de fevereiro até 1 de março
Informações: http://www.flims.org.br/

Abril / Maio

Festival da Mantiqueira
Tema - “Todos Os Cantos”, um balanço das tendências da literatura brasileira contemporânea, reunindo autores de diversas regiões do Brasil.
São Francisco Xavier (SP)
De 10 a 12 de abril

Flipoços – Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas
Feira de livros, atrações culturais variadas e ciclos literários abordando diversos temas.
Espaço Cultural da Urca – Poços de Caldas (MG)
De 25 de abril a 3 de maio
Informações: http://www.flipocos.com/

Navegar é Preciso
Encontros literários com um seleto grupo de escritores e uma ampla programação turística dentro da diversidade que a região oferece nortearão o dia a dia dos navegantes.
Manaus (AM)
De 27 de abril a 1 de maio

Junho

Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto
Feira de livros, palestras, mesas de debates, espetáculos de dança, teatro, música e exibição de filmes nacionais.
Em diversos pontos da cidade – Ribeirão Preto (SP)
De 14 a 21 de junho

Julho

Flip – Festa Literária Internacional de Paraty (foto)
Festa que reúne nomes da literatura internacional e nacional para discussões do cenário atual literário.
Centro Histórico - Paraty (RJ)
De 1º a 5 de julho
Informações: http://www.flip.org.br/

Agosto


FLIS - Feira Literária de Ilha Solteira
Evento celebra a literatura com uma programação que inclui diversas oficinas, bates-papos, shows e uma grande Feira de Livros.
Diversos espaços em Ilha Solteira (SP)
De 11 a 15 de agosto
Informações: https://www.facebook.com/EventoFLIS?fref=ts


Setembro

Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro
Um dos maiores eventos literários do país, um grande encontro que tem o livro como astro principal.
Riocentro – Av. Salvador Allende, 6.555 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro (RJ)
De 3 a 13 de setembro

Fliparanapiacaba 2015
Literatura, música e teatro
Vila de Paranapiacaba – Santo André (SP)
De 23 a 27 de setembro – Grátis

Novembro

FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte
Convidados de relevância nacionais e internacionais, exposições, lançamentos, feira de publicações, sessões de vídeo, oficinas, palestras, mesas redondas e outras atividades.
Av. Assis Chateaubriand, 809 – Centro – Belo Horizonte (MG)
De 11 a 15 de novembro
Informações (em breve): http://www.fiqbh.com.br/

Fliporto – Festa Literária Internacional de Pernambuco
Evento que reúne escritores, pesquisadores, estudiosos, leitores e interessados em literatura e afins.
Centro histórico de Olinda – Olinda (PE)
De 12 a 15 de novembro
Informações: http://fliporto.net/