Blogs sobre livros e literatura existem vários. Todos muito bons e, como boa leitora, sou fã incondicional da maioria deles. Mesmo assim, arrisquei-me em criar um. Neste blog quero falar não só de livros, mas também da leitura que faço deles e do ato de ler. Não só. Quero ainda abrir um espaço para minhas observações, da vida, do cotidiano, das pessoas. É uma forma de registrar as minhas impressões e compartilhá-las. A quem se dispuser a ler, espero que aprecie, comente e divulgue.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Era uma vez...
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Bloqueios
Depois de terminar o TCC da pós-graduação, sinto que minhas técnicas redacionais e meu processo criativo foram exauridos até a exaustão (apesar da redundância, o uso do pleonasmo aqui é proposital para intensificar a ideia de "esgotamento"). Afinal, de que outra forma eu poderia explicar o meu afastamento do blog e minhas constantes dificuldades em colocar no papel – no caso na tela – as palavras presas em minha mente?Longe de querer me comparar, seria inútil, mas felizmente não é este meu caso. A apatia pela escrita é só uma reclusão passageira, da qual aos poucos já estou me libertando. Apesar disso, a minha atividade literária não para. As leituras prosseguem e a cada dia chega ao meu conhecimento novos horizontes, novos livros, novas leituras. A minha lista continua a crescer, me deixando atordoada e aflita, mas sigo lendo, cada vez mais, frenetica e apaixonadamente, sem parar.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Doe palavras
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Templo das palavras
Para uma jornalista, profissional que tem a linguagem como seu principal instrumento de trabalho, a constatação pode soar como uma brincadeira, mas não é. O fato é que, grande ou pequeno, completo ou reduzido, não tenho um dicionário da língua portuguesa, na versão impressa, em casa.Bom, aqui cabe um pequeno parênteses, porque muitos podem perguntar “para quê, em tempos de internet, vou querer um dicionário impresso?”
Apesar desse sonho antigo, fico até com a consciência tranquila por não ter adquirido um exemplar antes. É que com as recentes mudanças na ortografia, o dicionário ficaria defasado e eu teria de comprar uma nova edição. Já pensou no prejuízo? Agora, com essas alterações já oficializadas e sacramentadas, sinto-me mais à vontade para procurar um dicionário entre as variedades existentes. O problema é encaixá-lo na minha lista de aquisições literárias a concretizar.
Prioridades à parte, essa lembrança veio à tona por estarmos comemorando hoje o centenário do nascimento de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, que além de se dedicar à lexicografia – técnica de elaboração de dicionários – foi poeta, contista, tradutor, cronista e revisor.
As comemorações do centenário se estenderão por todo o ano no estado alagoano, devendo encerrar-se em 3 de maio de 2011, quando será lançado um documentário biográfico em longa-metragem dirigido pelo cineasta alagoano Werner Salles. Será uma ótima oportunidade para todos nós conhecermos um pouco mais sobre a vida e a obra desse grande estudioso da língua portuguesa.
Até lá, espero ter um dicionário em mãos.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Abrindo a minha Caixa de Pandora
No último mês estive às voltas com leituras de Ensaio Pessoal. Queria compreender melhor esse gênero do Jornalismo Literário e, ao mesmo tempo, me inspirar para poder escrever um Ensaio Pessoal como trabalho de conclusão do curso da pós-graduação. Era um grande desafio e eu temia não ter fôlego para tanto.Sobre Alice, por sua vez, é um texto leve, embora centrado também no tema da morte. O jornalista Calvin Trillin fala sobre sua mulher Alice, morta em 2005, em consequência de problemas cardíacos ocasionados pelo tratamento ao qual se submeteu 25 anos antes por causa de um câncer no pulmão. Mais do que questionamentos e lamúrias, Calvin lembra momentos da vida da mulher, alguns com muito bom humor e de sua relação com ela, entremeando-os com a doença e consequente morte. São memórias rápidas de um homem ainda apaixonado.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Sua excelência, o livro
Para homenagear o livro, este objeto que já me ensionou tantas coisas, que me levou para diferentes lugares, que abriu meus olhos para muitas experiências, que me fez chorar e sorrir ao mesmo tempo, que acalentou meus sonhos mais suspirados e que curou minhas mais profundas feridas, deixo aqui um vídeo que achei bem legal, de amor e de incentivo à leitura, no Dia Internacional do Livro e do Direito Autoral.
A data foi oficializada pela Unesco, em 1996, sendo festejada em mais de 100 países. A Espanha, desde 1926, já celebrava o livro na data da morte de Shakespeare e Cervantes. Na região espanhola da Catalunha, 23 de abril, é o dia de São Jorge, da rosa e do livro: o dia do padroeiro, do amor e da cultura. As mulheres recebem flores dos homens e retribuem, presenteando-os com livros.
Neste dia, vamos presentear – homens, mulheres, crianças, jovens e idosos – e nos presentear também com um livro. Ele tem papel transformador na vida das pessoas. Por isso, quem não lê, não sabe o que está perdendo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Salve o livro infantil
Quando eu cursava o primeiro ano do segundo grau, a professora de Português, na época, apresentou uma aula sobre literatura na qual falava da vida e da obra de Monteiro Lobato. A certa altura, ela perguntou a um dos alunos que parecia distraído, o que ele achava do escritor brasileiro...– Não gosto – Ele respondeu.
– Por quê?
– A literatura dele é para crianças. Já não me interesso mais por ela.
– Pois saiba que Monteiro Lobato escreveu muito para adultos, mas desiludido com estes, resolveu se voltar para o universo infantil – Explicou a professora, deixando o aluno de queixo caído.
Foi uma sábia decisão, porque a partir dela surgiu o mundo do Sítio do Picapau Amarelo, uma das principais obras da literatura infantil brasileira. Pela importância de seus livros infanto-juvenis, o dia do seu nascimento, 18 de abril, foi escolhido para ser o Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado ontem.
Monteiro Lobato teve sua primeira obra voltada para o público infantil lançada em 1920. Tratava-se de A Menina do Nariz Arrebitado. Foi com este livro que ele inaugurou o Sitio do Picapau Amarelo e seus personagens.
O poeta Vinicius de Moraes disse, certa vez, que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Pois é, talvez tenha sido por causa de um desses desencontros que eu ainda não tinha lido um livro de Monteiro Lobato, nem da fase adulta, nem da fase infantil. Não que eu me lembre.
Na minha infância não havia essa oferta de obras para crianças que hoje existe. Lembro das histórias de Hans Christian Andersen, das fábulas de Esopo e de La Fontaine, dos contos de Charles Perrault e dos clássicos da Disney. De Monteiro Lobato não. Mas pelo menos esse lapso pode ser reparado, em parte, quando o Sítio do Picapau Amarelo foi adaptado para a televisão. Aí então, eu pude conhecer melhor o universo infantil criado por ele.
Era preciso, no entanto, ler os seus livros. Então, recentemente, peguei na biblioteca Emília no País da Gramática, que li com um prazer redobrado, seja pela literatura em si, seja pela referência a língua portuguesa.
A edição é antiga, então algumas palavras já caíram no desuso, ou como o próprio Monteiro Lobato descreve no livro: foram morar na cidade/bairro do Arcaísmo. Mas no geral, o básico da Gramática está lá e foi muito bom poder rever os verbos, suas conjugações com tempos e modos, os pronomes, os advérbios e tantos outros itens de uma forma bem descontraída. O melhor, porém, é a dinâmica da história e as trapalhadas da Emília, ela sim, a grande personagem do autor.
Para ir ao País da Gramática, Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde são conduzidos pelo rinoceronte, apelidado de Quindim pela boneca. No início, admirados com a erudição do animal e com seu conhecimento da língua portuguesa, Emília lança um palpite bastante humorado para justificar a façanha:
– Para mim – sugeriu Emília – Quindim comeu aquela gramaticorra que Dona Benta comprou. Lembre-se que a bichona desapareceu justamente no dia em que Quindim dormiu no pomar. O Visconde tinha estado às voltas com ela, estudando ditongos debaixo da jabuticabeira. Com certeza esqueceu-a lá e o rinoceronte papou-a.
– Que bobagem, Emília! Gramática nunca foi alimento.
– Bobagem, nada! – sustentou a boneca. – Dona Benta vive dizendo que os livros são o pão do espírito. Ora, gramática é livro; logo é pão; logo é alimento.
– Boba! – gritou a menina. – Pão do espírito está aí empregado no sentido figurado. No sentido material um livro não é pão de coisa nenhuma.
Emília deu uma gargalhada.
– Pensa que não sei que os livros são feitos de papel de madeira. Madeira é vegetal. Vegetal é alimento de rinoceronte. Logo, Quindim podia muito bem alimentar-se com os vegetais que se transformaram no papel que virou gramática.
São tiradas como essa da Emília que fazem a graça do livro.
Já dei o pontapé inicial na obra, agora é só seguir a trilha desse visionário, que enxergava oportunidades onde ninguém mais a via e apostava no livro como elemento de transformação. Contudo, ele acreditava que os livros, por si só, não mudam o mundo, mas sim as pessoas. A chave disso tudo é que “os livros podem mudar as pessoas”.