

Blogs sobre livros e literatura existem vários. Todos muito bons e, como boa leitora, sou fã incondicional da maioria deles. Mesmo assim, arrisquei-me em criar um. Neste blog quero falar não só de livros, mas também da leitura que faço deles e do ato de ler. Não só. Quero ainda abrir um espaço para minhas observações, da vida, do cotidiano, das pessoas. É uma forma de registrar as minhas impressões e compartilhá-las. A quem se dispuser a ler, espero que aprecie, comente e divulgue.
Este blog comemora o seu primeiro ano de existência, um período em que buscou, mais do que fazer resenhas de livros, trazer um pouco da experiência que as muitas leituras trazem à minha vida e, junto com elas, um pouco do que sou, do que acredito, do que espero.
Ao completar um ano de vida, este blog se orgulha de reunir 29 seguidores. Um número que pode parecer pouco para muitos, mas que para mim é expressivo, sobretudo porque muitos deles não fazem parte do meu dia a dia real. São leitores virtuais, que conheci por meio do blog e que me fazem muito feliz por acompanharem minhas digressões e comentários nesses 365 dias como blogueira.
Quando dei início a esse projeto, não esperava ir tão longe, não imanginava que alguém me seguiria, por isso, para mim é uma vitória estar aqui e dar continuidade a essa caminhada. Uma caminhada que espero seja muito longa e, se depender dos livros e da literatura, tenho certeza de que terá muito o que percorrer ainda.
E, para completar, tomei tanto gosto pela coisa que até me animei a fazer um outro blog, também ligado às minhas leituras. Esse, porém, se destinará a ser um registro, um diário de leituras, onde transcreverei passagens e trechos dos livros que leio e que me tocam profundamente.
Seu nome? Leituras que não esqueço.
Seu endereço? http://www.leiturasquenaoesqueco.blogspot.com/
Espero que vocês o acolham com o mesmo carinho que dispensaram ao Sobre Leituras e Observações.
Desci na estação Tietê do metrô e na saída já pude vislumbrar o que me aguardava pela frente. Uma interminável fila para pegar o ônibus gratuito que nos levaria até o local da feira. A fila era tão grande que dava voltas e atravessava o metrô de ponta a ponta. Ainda assim não me deixei abater, esperaria o tempo que fosse. Pouco mais de uma hora depois, para ser exata, consegui entrar no ônibus e, apesar do trajeto curto, o trânsito prolongou ainda mais um pouco minha ânsia de chegar logo à Bienal. Depois ainda tive de me misturar ao bolo de gente que se espremia para alcançar às bilheterias. Bom, impaciência à parte, não foi nada muito diferente daquilo que um bom paulistano já está acostumado a enfrentar para ter acesso a grandes eventos culturais.
Foi uma tarde agradável que nem mesmo o cansaço de andar por horas e horas pela Bienal atrapalharam meu deleite de me ver cercada por livros e mais livros. Agora, só daqui a dois anos. O bom é que passa rápido.
E não é para menos esse meu isolamento. Afinal, ver de perto Isabel Allende, participar de uma coletiva de imprensa com ela, ouvi-la falar e conseguir seu autógrafo no livro A Casa dos Espíritos não é pouca coisa não. E como se não bastasse tudo isso, a autora chilena ainda é uma simpatia e bastante acolhedora. Para ela, cada livro que escreve é um livro diferente, único naquele momento, com suas características e seu tom. Por isso, não considera que seus romances, ou novelas como costuma dizer, tenham a mesma linha um (a) da outro (a).
Ainda sob a forte impressão deixada por Isabel Allende, fui assistir à mesa dos historiadores Robert Darnton e Peter Burke. Mas logo me deixei levar pela prosa e pelos comentários deles, passeando pela história do livro com muito bom humor e conhecimento. Foi uma delícia. Depois, enquanto aguardava Darnton autografar A Questão dos Livros - Passado, Presente e Futuro, vi passar por mim Salman Rushdie, o autor de Os Versos Satânicos, uma figura simpática, bonita, com seu terno cor de creme e um chapéu panamá na cabeça. Sorridente, ele até pousou para a foto que uma amiga fez dele.
É por essas e outras que a minha cabeça não pode estar centrada em mais nada que não seja a Flip 2010. E também em toda a programação de hoje, com a expectativa da mesa de Rushdie e de Azar Nafisi, de Lendo Lolita em Teerã; tem ainda amanhã e domingo e outros autores queridos para ver e ouvir como Eliane Brum, Robert Crumb e Julio Villanueva, e também aqueles que quero prestar atenção, como Benjamin Moser, Carola Saavedra e Wendy Guerra.
Que bom que estou em Paraty. Que bom que possa participar de tudo isso. Que bom viver o clima da Flip. E que venham muitas outras ainda.