Blogs sobre livros e literatura existem vários. Todos muito bons e, como boa leitora, sou fã incondicional da maioria deles. Mesmo assim, arrisquei-me em criar um. Neste blog quero falar não só de livros, mas também da leitura que faço deles e do ato de ler. Não só. Quero ainda abrir um espaço para minhas observações, da vida, do cotidiano, das pessoas. É uma forma de registrar as minhas impressões e compartilhá-las. A quem se dispuser a ler, espero que aprecie, comente e divulgue.
terça-feira, 29 de março de 2011
No mundo dos livros
sexta-feira, 25 de março de 2011
Para começar bem

Manter o leitor lendo, de fato, não é uma tarefa fácil. E vários são os livros que, contando uma excelente história, não conseguem prender o leitor desde o seu início. Para estes, a paciência é a palavra-chave, é preciso tentar, esperar que a trama se desenrole e se revele aos nossos olhos, de forma a se tornar uma leitura prazerosa, à qual se quer voltar sempre para aportar no seu desfecho.
Das leituras que fiz, até hoje, para mim, a preferida, a que tem uma bela abertura, que seduz de imediato é Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov que, entre outras artimanhas no romance, criou a palavra ninfeta, para designar a “menina de sensualidade precocemente desenvolvida, e que desperta forte atração sexual”, segundo definição do dicionário.
Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.
EU TINHA uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia. Corri para lá e vi minha mãe estendida no chão e meu pai caído em cima dela como um louco. A gente toda que estava ali olhava para o quadro como se estivesse a assistir a um espetáculo. Vi então que minha mãe estava toda banhada em sangue, e corri para beijá-la, quando me pegaram pelo braço com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas não me deixaram fazer nada. Um homem que chegou com uns soldados mandou então que todos saíssem, que só podia ficar ali a Polícia e mais ninguém.
É muito bom quando um livro prende a nossa atenção logo de “cara”, afinal a primeira impressão sempre é a que fica. Mas acho que vale a pena insistir nas outras leituras, mesmo porque grandes aberturas são raras, e o resultado ao final, pode surpreender.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Parceiros de quatro patas

Foi contrariando essa regra, contudo, que Jay Kolpeman, então tenente coronel do grupo de fuzileiros navais, no início da ocupação norte-americana, na cidade de Faluja, Iraque, se defrontou com um filhote de cão, iniciando ali uma amizade que iria enfrentar toda e qualquer dificuldade para continuar compartilhada além da guerra.
Jay conta que a presença de Lava entre o batalhão contribuiu para resguardar a sanidade mental. E também de todos com que ele conviveram em Faluja, como a da repórter Anne, que ficou com o cão por um tempo em Bagdá, enquanto Jay fazia contatos com autoridades e entidades voltadas para animais para transportá-lo aos Estados Unidos.
“No fim de semana, Anne me envia outro e-mail.
Ele hoje salvou minha sanidade. Estava cheia de tudo isso aqui e de todo o meu trabalho, mas fui para casa e fiquei brincando com ele.
Imagino que a presença de Lava nas instalações da rádio proporciona a todos os humanos uma fuga temporária da realidade e os leva através de vários pontos de controle até a terra do faz-de-conta, onde os cachorrinhos saltitam em gramados verdes e macios e está um lindo dia na vizinhança.”
O final desta história é feliz e aponta para uma outra. Foi então que descobri a continuação da história de Lava, em Lições de vida de um cão chamado Lava, também de autoria de Jay Kopelman. Mas confesso que esperava mais deste livro. A densidade emocional do primeiro, que foi escrito com acoautoria da jornalista Melinda Roth, não se encontra no segundo livro. Neste, o ex-tenente coronel fala de Lava e de sua adaptação ao Estados Unidos, mas concentra-se mais nas suas dificuldades de readaptação à vida com os amigos e familiares depois da guerra. Fala sobre regulamentos e a vida dos fuzileiros navais durante o exercício da profissão e depois de ter enfrentado uma guerra.
quinta-feira, 17 de março de 2011
O meu livro em Fahrenheit 451

2. Há pouco tempo respondi essa mesma pergunta para uma coluna do blog da Adriana Ornellas, A menina do fim da rua ( http://a-menina-do-fim-da-rua.blogspot.com/ ).
- Ele vem de um olhar que nunca será meu...
Como está para o sol a luz morta da estrela
a luz do próprio sol está para o olhar dela...
Parece o seu fulgor quando o fito direito,
uma faca que alguém enterra no meu peito,
veneno que se bebe em rútilos cristais
e, sabendo que mata, eu quero beber mais...
- Eu já compreendo o mal que teu peito povoa.
Dize Juca Mulato, de quem é esse olhar?
– Da filha da patroa.
- Juca Mulato! Esquece o olhar inatingível!
Não há cura, ai de ti, para o amor impossível.
Arranco a lepra do corpo, estirpo da alma o tédio,
só para o mal de amor nunca encontrei remédio...”
segunda-feira, 14 de março de 2011
Das escolhas do livro

Por isso, costumo dizer que o meu negócio é texto. Afinal, é a história que busco e, se o título me chamar a atenção, vou pegar o livro, vou folheá-lo, vou ler sua contracapa e sua orelha, vou me certificar se é mesmo a história que estou procurando.
O GRANDE: As chuvas chegaram.
O PEQUENO: é BOM?
O GRANDE: Demais!
O PEQUENO: O que ele conta?
O GRANDE: É a história de um cara: no começo, ele bebe muito uísque, no fim ele bebe muita água!
Não precisei de grande coisa para passar o fim desse verão molhado até os ossos por As chuvas chegaram, do senhor Louis Bromfield, furtado a meu mano, que não o terminou nunca.”
quinta-feira, 10 de março de 2011
Literatura de mulher

"Chick lit” trata-se de um gênero de ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas e independentes. São romances leves, divertidos e charmosos, cujo protagonista é sempre uma mulher que está às voltas com a carreira profissional e a vida pessoal, tentando equilibrar-se entre as duas.
Achei divertido esse termo, mas devo confessar que sempre fui muito avessa ao rótulo de “literatura de mulher”. Para dizer a verdade eu nunca fui muito fã desse gênero, nem mesmo de revistas, classificadas como “femininas”, me atraem muito, tipo Claudia, Nova, Máxima. Acho que essas publicações subestimam as mulheres e as rotulam.
terça-feira, 8 de março de 2011
Mulher de fases

LUA ADVERSA
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
sexta-feira, 4 de março de 2011
O livro da sua vida
Esta é a pergunta que o Artefato Cultural (http://www.artefatocultural.com.br/) está fazendo em seu portal a todos os internautas. As respostas, conforme o site, serão transformadas em textos.
Achei o portal bastante interessante e rico em informações culturais. Vale a pena dar uma conferida. E se quiser participar da enquete, basta deixar um comentário falando sobre o livro e o quanto a sua leitura foi importante para você. Acesse a enquete aqui: http://www.artefatocultural.com.br/portal/index.php?secao=news&id_noticia=660&subsecao=68
Quanto a minha resposta, bem, como já comentei no blog, o livro que marcou minha vida foi Fogo Morto, de José Lins do Rego. Porque foi o livro que despertou, de vez, a paixão pela literatura em mim. É um livro que remete à minha adolescência, quando tinha de 14 para 15 anos, época em que passei a me interessar mais pela literatura, impulsionada, sobretudo, por uma professora de Português que tive no final do 1º e começo do 2º grau: Dona Rosemeire. Suas aulas eram magníficas, com leituras, exercícios de criatividade, apresentações de textos. Quando li Fogo Morto fiquei fascinada com a linguagem, aquela história sobre a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar e seus personagens fascinantes. Não é à-toa que considero o capital Vitorino Carneiro da Cunha, o meu personagem preferido.
quarta-feira, 2 de março de 2011
"Queimadores de livros"

Terrível? Pois é exatamente este o cerne de Fahrenheit 451, o romance de Ray Bradbury, escritor de ascendência sueca e que escreve contos de ficção científica norte-americana. Publicado pela primeira vez em 1953, o romance foi adaptado para o cinema em 1966, sob a direção de François Truffaut.
Pensando bem, talvez ainda não fosse a hora dessa leitura, pois acredito que sempre há um tempo certo para tudo e, foi assim com esse livro. Seja como for, ler Fahrenheit 451 foi uma dessas experiências que por si só já valem a pena a espera.
A escolha do local da escrita não poderia ter sido mais certa. Apaixonado por bibliotecas, Bradbury queria escrever um romance que falasse sobre essa afeição e de como a televisão destrói essa relação. Assim, entre uma página ou outra que escrevia, o autor percorria a biblioteca, entrava pelos corredores, olhava os livros, tirava-os da prateleira, examinava suas páginas.
E em não contar isso a mim!”
Só mesmo grandes escritores para contar histórias e dar vida a personagens tão extraordinários e tão próximos ao mundo da literatura.