quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aos mestres com carinho


A data eu não me lembro ao certo, acho que deve ter sido em algum mês do ano passado, mas o fato é que navegando pela comunidade do GEP (Ginásio Estadual do Pari, escola em que cursei o 1º grau - hoje Ensino Fundamental), no Orkut, encontrei Edméa, a irmã da minha professora de Educação Física daquela época, a Ednéia. Com quase o mesmo nome da irmã, a Edméa, na verdade, chegou a dar aulas também de Educação Física à minha turma, como professora substituta.

Hoje, Dia do Professor, passei pela página do seu perfil e deixei um recadinho de felicitações. Afinal, em certo período das nossas vidas estivemos juntas e esse contato, ainda que breve, deixaram boas lembranças, assim como a convivência com outros professores, nos vários anos escolares, ficaram em mim.

Dona Nancy (sim, naquela época chamávamos as professoras de donas, não de tias) foi a primeira, aquela que me ensinou a ler e a escrever. Depois vieram a Dona Diná (com ela aprimorei a minha leitura de textos e lembro, com saudades, do quanto gostava quando ela me chamava para ler), a Dona Leda e a Dona Rosa, todas do antigo primário.

Já na quinta série, de escola nova (na verdade foi apenas uma transferência de prédio, que dividiu a escola em Orestes Guimarães e GEP), o professor de Português, “seo” Américo, nos fez entrar em contato com as leituras obrigatórias. Foi dele a indicação para ler A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, que por aquela época fora adaptado para o cinema, tendo como estrela Sonia Braga. E, é claro, que eu e minha amiga Celinha fizemos fila para assistir.

Também de Português (por que será que é esta a disciplina que tenho mais lembranças?), mas no 2º grau (ou Ensino Médio), lembro que Dona Rose era muito brava e rigorosa, mas sem dúvida foi com ela que aprendi a gostar ainda mais da nossa língua. Suas aulas eram magníficas e não se limitavam apenas às regras gramaticais e tempos verbais, mas eram entremeadas de atividades voltadas ao desenvolvimento da nossa criatividade. E foi com ela que conheci Fogo Morto, de José Lins do Rego, o livro que me transportou de vez para o mundo da literatura.

Da faculdade de Jornalismo, da Puccamp, tenho lembrança da Regina Márcia, professora de Antropologia Cultural, aula que me fascinava por conhecer os costumes, a cultura e a vida de outros povos: – Etnias! Não raças – fazia ela questão de ressaltar.

Boccato, professor de Fotografia, era o tipo de mestre que fazia você se sentir à vontade de imediato, de tanta descontração que suas aulas nos proporcionavam. Outra disciplina bastante concorrida era a de Rádio, e isto sem dúvida se devia ao professor Lamanna, um entusiástico e grande especialista desse meio de comunicação.
Me recordo ainda do professor João Batista, de Filosofia da Comunicação, cujas aulas de teatro me fizeram representar o papel de um cadáver (sim, cadáver!), mas não um qualquer. Era um personagem de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Meu grupo tinha de encenar uma peça sobre o Teatro Pobre, aquele em que os próprios atores se fazem de cenário, utilizando seus corpos e braços. Magérrima, na época (ainda sou um pouco), era a mais fácil de ser carregada, daí o papel de cadáver (ridículo, não?).

Na Pós em Jornalismo Internacional, na Pucsp, professores como Lúcio Flávio, de Ideologias e Movimentos Sociais, abriram meus olhos a um novo mundo. Bairrista, como era, percebi a importância das relações com as outras nações e o quão fascinante suas histórias podem ser. O livro México em Transe, de Igor Fuser, uma das leituras recomendadas da disciplina, foi decisivo para isso, por me deixar estarrecida, fazendo aflorar mais uma vez aquela sonhadora revolucionária dos tempos da Faculdade.

E, mais recentemente, com os professores Edvaldo, Sergio e Celso (este que foi meu colega de classe na Puccamp e se formou em Jornalismo comigo, hoje é meu mestre no curso da Pós em Jornalismo Literário), estou descobrindo novas possibilidades na profissão que escolhi e abracei com paixão.

A todos eles o meu respeito e o meu carinho. Obrigada por alargarem meus horizontes, por me orientarem e por serem meus companheiros de ontem, de hoje e de sempre.
Feliz Dia dos Professores!
* A foto acima foi tirada em 1971. São os professores do GEP. Nem todos lembro o nome, só de alguns: Rose, Vivina, Tomires, Liura, Américo, Nazima.

4 comentários:

  1. são pouquíssimos os professores que lembro o nome ( já era Princesa Amnésia e não sabia !)mas me lembro da professora Vânia de Lingua Portuguesa e Literatura ( ô professora brava ! ai, ainda bem que eu gostava da matéria ),mas infelizmente não achei nenhum que me fizesse gostar de matemática...que pena...
    obrigada amiga, de novo por dividir suas lembranças tão lindas! bela memória!

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  2. Também lembro de um monte de professores!!! E minha mãe foi um por 30 anos...mas no final, com a falta de berço das crianças, estava era louca pra se aposentar.

    bjs e bom finde

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